domingo, 10 de abril de 2016

O revisor de textos e a estilística II


Dando continuidade ao assunto, revisão de textos e a estilística, que começamos dia 24 de março, com o texto: O revisor de textos e a estilística, vamos abordar o tema: a estilística do som.

A estilística do som, também chamada de fonoestilística, segundo Martins (2012), “trata dos valores expressivos de natureza sonora observáveis nas palavras e enunciados. Fonemas e prosodemas (acento, entonação, altura e ritmo) constituem um complexo sonoro de extraordinária importância na função emotiva e poética”.

Perceba que os sons da língua podem ser agradáveis ou desagradáveis. Aí entra o preconceito linguístico, que podemos abordar em outro post, dada a relação que há entre os sons que tornam a língua considerada privilegiada ou não. Ou seja, a língua aceita pela maioria e a não aceita.

Mas, voltando, há sempre os sons que nos agradam mais, pois nos dizem mais, significam mais, pois estão relacionados também com a afetividade. Os sons denunciam o estado de espírito do interlocutor, quando em interação face a face, ou do autor quando em um romance, por exemplo.

Conforme Bally, “na matéria fônica se escondem possibilidades expressivas, tudo que produz sensações musculares e acústicas: sons articulados e suas combinações, jogos de timbres vocálicos, melodia, intensidade, duração dos sons, repetição, assonância e aliteração, silêncios etc.”.

Veja o caso da expressividade da vogal oral A, por exemplo, que é o fonema mais sonoro de todo o sistema fonológico. Podemos sentir isto em interjeições, anomatopeias e palavras que sugerem risadas, batidas audíveis, como: hahahahaha, kkkkkkk, pan pan pan, toc toc toc.

Além disso, a sonoridade da vogal A dá ideia de claridade, brancura, amplidão, alegria etc..

Leia o poema: Sonho, de Olavo Bilac. Nele o autor utiliza-se do potencial da vogal A.

Há por tudo a alegria e o rumor de um noivado.
Em torno de cada ninho anda bailando uma asa.
E, como sobre um leito um alvo cortinado,
Alva, a luz do luar cai sobre a tua casa.

Agora, Revisores, como revisar o texto de um escritor que foge da estilística a qual estamos habituados?

Dê sua opinião, ela é importante para nós.

Até o próximo post!

Equipe Muitas Letras



quinta-feira, 24 de março de 2016

O revisor de textos e a estilística

Temos escrito aqui, no Blog da Muitas Letras, alguns textos relacionados ao revisor que, acreditamos, poderão facilitar o entendimento do que é ser um profissional da revisão, a responsabilidade e a dedicação para com os estudos sobre o assunto, pois é preciso estar sempre atualizado. Tudo isso para termos um canal de conversação, união imprescindível para estarmos sempre “por dentro” das atividades relacionadas.  

Uma das difíceis tarefas do revisor é perceber o estilo do autor. E, neste quesito, há muito que se perceber. Podemos selecionar inúmeros estilos que podem prevalecer num texto. Entretanto, vamos nos ater, neste post, na questão da estilística sintática.

O que quer dizer? O que significa?

O que combina as palavras na frase é a sintaxe. Portanto, nosso assunto hoje é a SINTAXE. Perceba que essa escolha de palavras, de combinações, é uma “atividade criadora”, muitos autores, especialistas no assunto, afirmam isso. 

Sintaticamente falando, quem escreve escolhe tipos de frase que obedecem, mais ou menos, regras rígidas. Mas a escolha do padrão sintático e do léxico corresponde à criatividade da frase, tendo o escritor a possibilidade de produzir frases novas e compreensíveis, infinitamente.

Veja bem, essa escolha se dá no aspecto usual da língua, e essa decisão é uma medida subjetiva de competência. Claro! Como saberemos o que nosso leitor entenderá do que escrevemos? 

Assim que, o desvio da norma pode estar acima ou abaixo da média que a gramática estabelece: podem ser criações expressivas de artistas, aí poderemos chamar de inovações estilísticas, ou podem realmente ser inadequações de escritores despreparados. Mas, atenção, também pode ser que o escritor se valha desse despreparo para fins estilísticos.

“À estilística sintática interessa a consideração dessa norma – dos tipos de frases que se pode formar – e os desvios dela que constituem traços originais e expressivos”.

No próximo post aprofundaremos mais este assunto.

Até lá!

Equipe Muitas Letras

WWW.muitasletras.com.br

sábado, 15 de agosto de 2015

O Produtor e o Revisor de Textos



Parece claro que um produtor de textos não é um revisor de textos. Mas, às vezes, fica a dúvida: afinal, quem produz textos os revisa?

Não deveria. Vejamos: quem produz/escreve um texto se debruça com vagar e concentração, com o objetivo que o que escreveu seja entendido pelo seu público-alvo. Entretanto, este trabalho pode ser vicioso, ou seja, o escritor fica tanto tempo em cima das palavras que escreve, do raciocínio que faz, para tornar o texto coeso, coerente, que acaba por não perceber alguns detalhes que, para quem lê, está muito claro.

Por isso, toda empresa, que trabalha com conteúdo, deveria ter uma equipe de revisores, pois o escritor é um profissional e o revisor é outro.

Ao escritor cabe escrever o belo texto que tem em mente, seja ele do gênero que for: romance, autoajuda, receitas culinárias, conto, crônica etc..

Ao revisor fica a tarefa de garantir que esse texto esteja adequado do ponto de vista das regras ortográficas e gramaticais da língua-alvo. Assim, as palavras do texto original serão alteradas somente quando estão com problemas nestas questões. Nunca, jamais, interferindo no sentido do texto que não é seu, no estilo do autor.

Revisores profissionais, geralmente, têm o propósito de reescrever para tornar um texto mais legível, com o cuidado de manter o respeito ao original. A revisão de textos, nesse sentido, não é uma ação pedagógica. Não se trata de ensinar um autor a escrever, mas de colaborar com ele para que seu texto possa ser apresentado a um público.

Já a reescrita na escola, por alunos ou por professores, tem propósitos muito diversos que definem as ações de todos, autores-alunos e professores-leitores. A intervenção de professores em produções textuais de alunos é revestida de propósitos bastante diversos da intervenção que o revisor de editora faz em textos para publicação.

Em qualquer dessas circunstâncias, todos estão aprendendo e reaprendendo a lidar com textos, repensando estruturas e modos de escrever.

Equipe Muitas Letras

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Revisão textual: para que serve, como se faz

O assunto revisão textual está em pauta. É só pesquisar no Google Trends para confirmar. Mas o porquê deste tema estar tão em voga é que os empreendedores devem questionar.

Linguistas, dos mais variados, principalmente aqueles que pesquisam sobre o preconceito linguístico, enfatizam sobre a adequação da linguagem.

Ora, o empresário que quer ter sua marca valorizada pelo seu consumidor, deve com certeza adequar a linguagem das redes sociais, caso contrário, ficará desacreditado. Isso é comprovado! Faça uma varredura em sua memória e lembre-se de algumas vezes em que você leu posts ou frases com alguns “equívocos” e que pensou: mas como isso está escrito desta forma?

Mas há quem, simplesmente, joga palavras no Twitter, no Facebook, etc, sem ao menos dar uma revisadinha. Ou pior, pede para pessoas que não estão familiarizadas com regras gramaticais, ou até a nova ortografia, (e às vezes essa pessoa tem certeza de que é como ela está escrevendo) para fazerem este trabalho e ela comete “erros crassos”. Isso fica muito feio!

A adequação da linguagem é importantíssima para você mostrar a marca que carrega. Essa linguagem será o seu diferencial. O modo como construirá o texto para expor sua empresa será conhecido pelo seu cliente. E por isso, também, será respeitado.

Mas como fazer? Primeiro, é preciso perceber o valor que tem este serviço. Os benefícios que ele lhe trará. Aí, deverá contratar alguém especializado para isso. Se não tiver um funcionário/colaborador que entenda deste assunto, pode terceirizar. Há muitas empresas que fazem este tipo de trabalho.

Eles começarão por revisar seu site, depois os posts que publica diariamente no Twitter e no Facebook. Também no LinkedIn. Qualquer frase expõe sua marca, não esqueça!

Além disso, também tem os documentos que sua empresa envia a outras empresas: documentos mais formais, ou cartas, avisos, memorandos, e até os e-mails. Um e-mail bem escrito tem o seu valor!

Tudo isso deve ter o dedo de um revisor de textos.
Você já pensou nisso? 

Equipe Muitas Letras

Texto publicado também no Blog Empreendedorismo Rosa.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Vantagens e desvantagens de fazer cursos online

Há muitos anos, mas há muitos anos mesmo, havia estudo por correspondência. Isso parecia um absurdo. Imagine, há 50 anos, como funcionavam os Correios, as distâncias eram enormes, 24h pareciam 48, tudo era muito demorado. Mas muitas pessoas se arriscavam em fazer cursos por correspondências. Encontravam o curso que queriam em um folheto distribuído em suas cidades, anotavam o endereço, enviavam a carta e ficavam esperando até que, um belo dia, aparecia a resposta com as orientações de como ia funcionar o tal curso. Era, pois, muito viável para quem não conseguia sair de casa para fazer um curso, ou não existia aquele que queria em sua cidade.

Bons tempos? Talvez. Muita gente se especializou desta forma.

Aí veio a era da informática, computadores superavançados, internet rápida, globalização, interação com qualquer parte do mundo, e a necessidade de se especializar em pouco tempo e com qualidade.

Por essa razão, os cursos por correspondência foram avançando e hoje existem os cursos online.
Claro que há vantagens e desvantagens.

Vamos ver, primeiramente, as desvantagens.

1) Você deverá estudar sozinho.

2) Você terá interação somente com seu tutor.

3) Você deve ter um perfil autônomo.

4) Deverá, também, ter “veia” de pesquisador.

5) Claro, deverá ter uma banda-larga que dê sustentação à plataforma que vai utilizar.

Agora vamos a algumas vantagens.

1) Você precisa entender sobre determinado assunto e não tem tempo para aquele curso presencial que está marcado para todos os sábados? Então, faça um curso online.

2) O curso presencial que você gostaria de fazer fica muito longe de sua casa ou em outra cidade? Então, faça um curso online.

3) No momento, você não pode investir no curso presencial que precisa tanto? Então, faça online, ele, certamente, é mais em conta.

4) Você precisa fazer o curso, mas tem família, filhos pequenos que precisam de sua atenção? Então, faça, um curso online.

5) Você poderá fazer pequenos cursos que o ajudarão avançar em seu plano de carreira, “engordando” seu currículo.

6) Você poderá estudar em casa, no lugar em que puder ou quiser, com a roupa que quiser, sem interferência de ninguém.

7) Você poderá voltar ao curso (escrito ou em vídeo) sempre que tiver dúvidas.

8) Algumas empresas estão preferindo funcionários que se formam em cursos online, pois veem neles um profissional autônomo, o que quer dizer que poderá ser independente e pró-ativo.

Agora, reflita! Sempre que temos mais vantagens do que desvantagens em uma determinada situação, talvez seja o momento de pensar que, fazer cursos online, pode ser muito mais vantajoso, em se tratando deste mundo rápido em que estamos vivendo.

Equipe Muitas Letras

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Como diferenciar estilo de equívoco na revisão textual

Um dos maiores entraves de um revisor está relacionado ao estilo do escritor cujo texto ele está revisando. O escritor tem sua maneira de escrever que faz parte da sua personalidade, de sua identidade regional, de seu conhecimento de mundo etc.

A questão é a seguinte: isso lhe dá o direito de escrever como quiser, sem obedecer regras ou coisa que o valha? Talvez, sim. Por que talvez? Ora, se o escritor for renomado e conhecido pelo seu estilo, sim. Temos um grande exemplo que é José Saramago.

Observe em sua obra: Ensaio Sobre a Cegueira (1995:12):

“Alguns condutores já saltaram para a rua, dispostos a empurrar o automóvel empanado para onde não fique a estorvar o trânsito, batem furiosamente nos vidros fechados, o homem que está lá dentro vira a cabeça para eles, a um lado, a outro, vê-se que grita qualquer coisa, pelos movimentos da boca percebe-se que repete uma palavra, uma não, duas, assim é realmente, consoante se vai ficar a saber quando alguém, enfim, conseguir abrir uma porta, Estou cego”.

Quem questionaria o estilo de Saramago? Ninguém, é claro! Ele se consagrou pela personalidade de seus textos; seu estilo cativou o público.

Ainda temos Clarice Lispector. Veja em Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, (1998:13). Quem começaria um parágrafo, ou melhor, um livro com uma vírgula? Sim, uma vírgula!

“, estando tão ocupada, viera das compras de casa que a empregada fizera às pressas porque cada vez mais matava serviço, embora só viesse para deixar almoço e jantar prontos, dera vários telefonemas tomando providências, inclusive um dificílimo para chamar o bombeiro de encanamentos de água, fora à cozinha para arrumar as compras e dispor na fruteira as maçãs que eram a sua melhor comida, embora não soubesse enfeitar uma fruteira...”

Os exemplos são de escritores conhecidos, consagrados, renomados, que escrevem romances e que têm licença poética para isso. Qualquer pessoa habituada a ler esses dois escritores, ao pegar seu texto, mesmo sem saber de quem é, logo vai perceber, pois eles têm características peculiares, não se encontram outros que escrevem com este estilo.

E quem determina isso? Somente o leitor. Somente o leitor de romances, ensaios, artigos, etc, vai voltar ao texto do escritor e consagrá-lo.

Mas isso ocorre com muito trabalho. O escritor, seja lá de qual gênero for, deve se esforçar para tornar-se melhor naquilo que escreve e sobre o que escreve.

O grande impasse do revisor é distinguir o que é estilo do escritor e o que é um equívoco, ou seja, quando ele coloca a vírgula no lugar errado porque não soube onde colocá-la, ou é apenas estilo, como o caso de Saramago.

Ao revisor cabe perguntar ao escritor sempre que tiver esta dúvida. Ao escritor cabe ter um dicionário e uma gramática para não cometer “equívocos” que vá prejudicar seu texto.

Equipe Muitas Letras
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Audiodescrição: acessibilidade para pessoas cegas


Você já ouviu falar em audiodescrição? Não? Então, preste atenção!

“A audiodescrição é o recurso que permite a inclusão de pessoas cegas, ou com deficiência visual em cinema, teatro e programas de televisão”. Esse é um conceito comum sobre a audiodescrição. Mas tem mais: a audiodescrição permite também que a pessoa que não enxerga, “veja”, por meio da descrição de um profissional, qualquer ambiente em que está interessado em conhecer.

O que isso quer dizer? Quer dizer que, com este recurso, essas pessoas têm a possibilidade de fazer parte da sociedade tanto quanto às que não têm deficiência. Em fazendo parte da sociedade de modo continuum querem conhecer lugares, reconhecer esses lugares, decifrar seus mundos.

Ora, como o cego fará para conhecer qualquer estabelecimento sem depender de outra pessoa, por exemplo? Simples, por meio da audiodescrição, com equipamentos que o beneficiará: fones de ouvido que servirão como guia com a voz de um audiodescritor dizendo tudo o que tem no espaço, numa empresa, num banco, cujo serviço precisa utilizar, até mesmo num site, e muito mais.

Há um mundo de possibilidades audiodescritas para a pessoa cega se sentir inserida neste universo que é seu, e se independizar.

Isso não é o máximo?

A acessibilidade nos meios de comunicação é um tema que está em pauta no mundo todo. E esses meios de comunicação devem ser estendidos. Veja, segundo o IBGE, existem aproximadamente 16,5 milhões de pessoas com deficiência visual, total ou parcial, que se encontram excluídas de experiências comuns do indivíduo.

A ideia é estabelecer um novo patamar de igualdade baseado na valorização da diversidade dando condições para que isso aconteça.

A audiodescrição é uma dessas possibilidades!

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